Energia eólica offshore no Brasil: oportunidades, desafios e os caminhos para o desenvolvimento do setor
Energia eólica offshore no Brasil: oportunidades, desafios e os caminhos para o desenvolvimento do setor
Publicada em: 03/11/2026

A energia eólica offshore abre ao Brasil a possibilidade de ampliar a geração renovável e de impulsionar novas frentes de desenvolvimento industrial. Para que esse potencial vire projetos concretos, porém, é preciso avançar em várias áreas ao mesmo tempo, da regulamentação à infraestrutura, passando pela viabilidade econômica e pela relação com os territórios.
Esse conjunto de questões esteve no centro das discussões do Brazil Windpower 2026, realizado de 27 a 29 de outubro, em São Paulo. A participação da Qair Brasil no evento incluiu debates sobre o desenvolvimento da indústria eólica offshore, a dimensão social dos empreendimentos e os desafios técnicos da operação e da manutenção.
Do potencial energético ao desenvolvimento do mercado
O interesse pela energia eólica offshore no Brasil já aparece no volume de projetos que chegaram ao licenciamento ambiental. Segundo dados divulgados pelo Ministério de Minas e Energia, até dezembro de 2024 havia 103 projetos com pedido de abertura de processo de licenciamento no Ibama, somando 244 GW de potência.
Esses números mostram a dimensão do interesse pelo setor, mas o desenvolvimento de uma indústria offshore depende de condições que vão além da disponibilidade de recursos naturais. A segurança regulatória, a infraestrutura portuária, a cadeia de fornecedores, a disponibilidade de investimentos e a viabilidade econômica dos projetos são fatores importantes para a consolidação desse mercado.
Nesse caminho, a Lei nº 15.097, de janeiro de 2025, estabeleceu o marco legal para o aproveitamento do potencial energético offshore no país. Em abril de 2026, o Conselho Nacional de Política Energética aprovou ainda diretrizes para a regulamentação da lei, que incluem temas como o planejamento de áreas, os processos regulatórios e os estudos técnicos.
Desenvolvimento industrial e oportunidades para o Brasil
O desenvolvimento da energia eólica offshore pode abrir oportunidades para diferentes segmentos da economia, como serviços especializados, infraestrutura, fabricação de componentes, logística e atividades de operação e manutenção. Para que essas oportunidades se concretizem, será preciso articular políticas públicas, investimentos privados e capacidade industrial, sempre levando em conta as características e os desafios próprios de projetos instalados no ambiente marinho.
Esse foi o contexto do painel “Quanto vale desenvolver a indústria offshore no Brasil?”, que contou com a participação de Ricardo Couto, gerente de Novos Negócios da Qair Brasil.
A transição energética também acontece nos territórios
O desenvolvimento de empreendimentos de energia exige atenção às relações estabelecidas com as comunidades e às transformações que a implantação e a operação trazem para os territórios. O diálogo permanente, a compreensão das realidades locais e o respeito aos direitos humanos são elementos importantes para construir relações consistentes entre empresas e territórios.
Essa perspectiva esteve presente no painel “Territórios, Direitos Humanos e Licença Social: da relação ao diálogo permanente”, com a participação de Nathanee Batista, coordenadora de Projetos Sociais do Instituto Qair.
Para o Instituto Qair, essa escuta orienta o desenvolvimento social e a construção de iniciativas que dialogam com as necessidades de cada território, e é a partir dela que as relações com as comunidades conseguem se manter ao longo do tempo, acompanhando todo o ciclo de um empreendimento.
Operação e manutenção: o trabalho que sustenta a geração
Depois que um parque entra em operação, a geração de energia passa a depender de um trabalho contínuo de manutenção, prevenção e acompanhamento técnico. O monitoramento dos equipamentos, o planejamento das intervenções, a prevenção de falhas e a segurança das equipes contribuem diretamente para a confiabilidade e o desempenho dos ativos, e a evolução tecnológica amplia as possibilidades de monitoramento e de gestão, o que exige atualização constante e boa integração entre conhecimento técnico, processos e pessoas. Em projetos instalados no mar, que têm características e desafios próprios, essa atenção à operação e à manutenção tende a ganhar ainda mais importância.
Essa foi a perspectiva que Nildson Alencar, Coordenador de Manutenção da Qair Brasil, levou ao evento, com o olhar de quem atua diretamente na confiabilidade das operações.
Um setor que avança em várias frentes ao mesmo tempo
As discussões do Brazil Windpower 2026 mostraram que o desenvolvimento da energia eólica offshore no país depende de fatores que caminham juntos: condições regulatórias e econômicas para o surgimento de novos negócios, infraestrutura e cadeia produtiva preparadas, excelência operacional e atenção às relações construídas com os territórios.
Para a Qair Brasil, acompanhar e participar dessas conversas faz parte de contribuir para uma transição energética que combine conhecimento técnico, oportunidades econômicas e responsabilidade socioambiental. O desafio daqui para frente é transformar o potencial do país em projetos consistentes e em benefícios duradouros, tanto para a economia quanto para as pessoas que vivem nos territórios onde essa indústria vai se desenvolver.








